domingo, 24 de setembro de 2017

Só cheira a Outono se cheirar a bolo <3

O Outono chegou e disso ninguém duvida.
Eu gosto das 4 estações, cada uma para as suas atividades. É uma pena que agora elas não estejam muito bem definidas...

No Outono molengão nada como aquele cheirinho a bolo a sair do forno que te preparas para comer enroscada no sofá com a gata nas pernas a ver um filme que nunca irias ver ao cinema, enquanto as cortinas escondem o cinzento da chuva lá fora.

Hoje apeteceu-me então, muito, fazer bolo. Já não faço há muito tempo então não sabia o que havia cá por casa para dar um bom bolo... Não me apetecia era tirar o pijama para sair para comprar o que precisasse para fazer uma das receitas que por cá andam...

Olhei no armário e não tinha a típica farinha para bolos. Tinha de arroz e integral... Ok... alguma coisa dava para fazer.
Pensei no que poderia compor o bolo a nível de sabor e apetecia-me de laranja, mas não tinha.
Foi então que olhei no armário à procura de ideias e vi o pacote de aveia com sabor chocolate chips... Boa!
Nem sempre há ovos e quando há são caseiros... havia.
Bati dois ovos com açúcar amarelo até ficar fofinho e juntei aos poucos e alternando meia caneca de farinha de arroz, meia de farinha integral, uma mal cheia de aveia e uma de leite de soja. Juntei fermento e meti ao forno até ficar cozido por dentro.

Ficou surpreendentemente bom. Mesmo bom! Crocante por fora e fofinho por dentro. Mnham!

Experimentem e depois digam como correu. Este já se foi!

sábado, 23 de setembro de 2017

Canja de galinha não

Uma das maravilhas de ser chefe de família - isto é, mãe - é passar a vida a alertar para as mais diversas coisas e não ser ouvida.
E sim, é a mãe o chefe de família porque orienta, organiza, apoia, cuida e fica sempre a trabalhar até mais tarde. E acontece de, quando a malta é insubordinada e não ouve os avisos, é para o chefe que sobra. Quando é um bom chefe, claro.

Sucede então que aqui a minha equipa é constituída por desordeiros insubordinados que me levam ao limite da paciência. A sério. Ao. Limite. Da. Paciência.
Portanto... nunca ouvem o que eu digo e, eventualmente à milionésima vez acabo por gritar e quem sofre as consequências sou eu.

Neste momento estou então... com dores de cabeça, nariz a correr (a meia maratona do Porto acabou de acabar mas o gajo chegava ao fim e pedia mais) e uma moleza pelo corpo todo um tanto diferente daquelas que dá à segunda quando acordas para ir trabalhar. Ouch.

Porquê? Porque por mais que eu diga para vestirem o casaco e se agasalhar, aqui a prole, acha que isso é mais um capricho da lunática controladora que exige coisas sem sentido. Sim, estão com gripe. Sim, apegaram-me. Sim, estão em promoção e vendo à melhor oferta.

Uma particularidade que tenho, e que pode muito bem ser absolutamente estúpida, é que me esqueço que existem medicamentos. Sou capaz de passar um dia inteiro com dores de cabeça e fazer que passe com café com casca de limão ou uma soneca, quando me posso dar a esse privilégio. E é de mim tentar curar uma gripe com chá quente, sopa quente, sumos de fruta... e só depois perceber que com um comprimido resolvia a situação mais rapidamente.

Vou então fazer canja mas não de galinha.
Por mais tentadora que seja uma sopa de secreções de carne de um animal morto, eu prefiro usar cogumelos.

Vai então ao supermercado comprar o que precisas.

Vai à secção da carne embalada e pega numa couvete de frango para canja. Agora pousa.
Vai aos legumes e tem lá cogumelos pleurotus. É desses que precisamos. Relaxa. É um fungo. Não, não tem sentimentos. E não, não é caro, é mais barato que o frango. Volta atrás e pega na couvete de frango. Menti? Pousa o frango. Pousa. Pou-sa.

Provavelmente tens em casa e não vais precisar de comprar mas, se precisares e puderes, compra azeite do bom a um produtor que conheças, as cebolas e alho ao vizinho que tem um campo ou na frutaria da esquina. Os cogumelos também há produtores biológicos que até tos entregam em casa.
Prefiram sempre local, nacional, biológico... na medida do que puderem.

Vamos então começar.
Pega numa garrafa de vinho alentejano do bom e serve um copo. Bebe. Também é bom para a gripe.

Pica a cebola e põe a alourar em azeite e sal. Depois junta alho para completar o refogado. É ao teu gosto.

Juntas os cogumelos desfiados um bocadinho e depois acrescenta água e massinhas. Deixa ferver até a massinha cozer.

Sei o que estás a pensar... É igual à outra mas só substituíste um ingrediente. Eu disse que era só isso, não disse? Não enganei ninguém... então porque ainda comes canja de galinha?

Prova lá... Não é deliciosa? Sem crueldade? Não te faz sentir bem o corpo e a alma?

Sentes-te melhor?
Então bebe mais um copo, vai dormir e amanhã tomas paracetamol.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Educação ComPaixão

O que é mais difícil neste mundo é mesmo sabermos viver em comunidade e manter a nossa individualidade. Isto é... para quem a tem. Fácil é acabarmos por fazer as coisas e seguir ideias porque todos o fazem.
Contra mim falo, acordo de manhã, levo as miúdas à escola, trabalho por 8 horas 5 dias por semana, vou ao ginásio, venho para casa, janto, durmo e mais uma moedinha, mais uma voltinha.
"méééé!"
 
Mas ousem ser diferentes, ousem ser gozados, ousem ser criticados todos os dias.
Ousem saber quem realmente são, genuinamente.
Sem se importarem com os rótulos.
 
Quem és?
Os teus sonhos onde estão?
O que perdeste pelo caminho da rotina da tua vida?
O que deixaste de fazer pensando nos julgamentos dos outros em detrimento da tua felicidade?
Quando tomas uma decisão, quando fazes uma escolha, ela reflete quem és e aquilo em que acreditas?
Fazes tudo de forma consciente?
Tens em consideração o impacto das tuas escolhas em sentido global, sem te deixares limitar pelo preconceito?
 
Se consegues fazer isto a cada passo que dás... parabéns. Eu não consigo.
Mas consigo passo sim, passo não.
Não foi de um dia para o outro mas foi depois de muita dor. O que não interessa nada agora e não é chamado para aqui.
 
Nem sempre me apercebo do que transmito às minhas filhas...
Não sou daquelas mães sempre atentas a tudo, que verificam os trabalhos de casa e que tiram as nódoas da roupa impecavelmente.
Muitas vezes as calças das minhas filhas estão sujas nos joelhos. Muitas vezes têm ranho e... bolas, às vezes demoro muito tempo a cortar-lhes as unhas!
Pouco nos resta no final do dia, mas esse tempo não é passado com trabalhos de casa. Todos os fins de semana há algo para fazer! Tento fazer a minha vida e inclui-las ao máximo em tudo o que faço.
 
Não quero as melhores alunas. Quando vejo pais em reuniões de pais que querem que os filhos trabalhem mais e que sejam alunos de 20, não sinto se não uma grande tristeza para onde nos dirigimos...
E respeito? E tolerância? E os sonhos?
A educação é fundamental, sem dúvida! Mas está a ir pelo caminho que devia? Ou estamos só a criar seres autómatos para serem os melhores alunos para depois serem os melhores escravos?
 
Nem sempre me apercebo do que transmito às minhas filhas... ok.
Sendo uma realidade que as crianças aprendem muito mais pelo exemplo (o que nem sempre é bom...), as minhas não param de me surpreender!
 
Quem me conhece sabe que não imponho a minha alimentação às minhas filhas.
Acho que elas vão tomar decisões de consciência, sabendo quem são. Não vão procurar a aceitação de ninguém exceto delas próprias, sabendo o que fazem e porque o fazem e não porque toda a gente o faz!
Não lhes faço refeições omnívoras. Não as incentivo ao consumo de produtos de origem animal. Tento mostrar-lhes as coisas como são. Toda a crueldade, tortura e exploração que existe por trás dos nossos padrões de consumo atuais.
Contudo, não as proíbo de comer o que quiserem, fora de casa. E, assim, acontece de às vezes as ver a comer uma sande de fiambre num aniversário. Ou de ter de conter as lágrimas enquanto o pai da mais nova lhe põe no restaurante bacalhau no prato e ela diz que gosta (já a carne é que não se atreve mesmo, porque aí juro que choro!). O que não é das coisas mais difíceis de ver e calar que já tive na vida, portanto, tudo ok.
 
Disse à minha mais velha que iam haver refeições vegetarianas na escola.
Andou estes meses todos em êxtase! E eu a pensar "Até parece que no outro dia não te vi a emborcar um bocado de fiambre, pois… por acaso!".
O certo é que subestimei o que lhe transmito sem me aperceber.
Passava a vida a dizer que a partir de setembro ia haver refeições vegetarianas na escola. Pôs-me a falar com a cozinheira... Eu continuava a pensar "Vais comer vegetariano, vais. Até veres um hambúrguer no prato ao lado!"...
Não me preocupei em ir à escola preencher o pedido para que ela fizesse refeições vegetarianas. Todos os dias me pedia.
 
Para quem não sabe, estamos a falar de uma menina especial, com algumas limitações. E se normalmente há coisa que ela não é, é despachada. Tenho de a lembrar um trilião de vezes de alguma coisa e mesmo assim a probabilidade de insucesso é grande.
Pois a rapariga andou a informar-se do que era necessário, fez amizade com coleguinhas vegetarianos e chegou-me a casa com os papéis para assinar e deu-me todas as instruções. Tudo por esforço e iniciativa dela.
 
Certo é que ela está habituada a ser diferente, por isso... não é por aí...
Mas o sacrifício de não comer o dito hambúrguer ou o assado... nunca imaginei.
Subestimei-a. Subestimei o exemplo que lhe passo. Subestimei-nos!
Ela é um orgulho para mim. Não nas notas. Na pessoa que se está a tornar.
Muitos não querem ser amigos dela, nem são agradáveis. Não compreendem a diferença. Mas ela sabe quem é. E percebe que a primeira pessoa que ela pode melhorar é ela própria. Quem dera a muitos melhores alunos da turma.

Isto enche-me o peito.

 
 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Nem só de alface vive um vegetariano

"Vegetariano?" Aquele que não inclui na sua alimentação qualquer produto de origem animal. Não, nem peixe. Nem frango. "E marisco?". Não. Agora imagina... nem ovos nem laticínios!
Isso... nada que tenha mãe. Ou olhos. Ou faça xixi. Ou venha daí.

"Se não comes carne nem peixe, então comes o quê?". Fizeste a primária? Então lembras-te que a roda dos alimentos não está dividida em carne e peixe. Certo? Como tudo o resto. Sim, tudo o resto que devias comer e não comes.

"Ah... isso é végán!". Não. Vegan é alguém que não come nem usa nada de origem animal ou experimentado em animal ou em que de alguma forma um animal tenha sido explorado. Animais humanos incluídos, ao contrário do que pensas! Uau, ne?
Basicamente um Vegan quando olha para algo antes de comprar pensa se para que isso venha parar às suas mãos, algum animal foi submetido a algum tipo de tratamento pelo qual ele não gostaria de passar. Ficou simples, não foi? É só isso, imaginares-te no lugar do outro.

"Ah, e a minha liberdade e o meu direito à escolha?". Ah e então essa liberdade é assim sem limites, achas mesmo? Mas digo que é simples. Tão simples quanto isto: faz o que quiseres! Não há certo nem errado, nem bom nem mau. Há só o que é. O que é, é como é. A regra é só uma: dos teus atos não deve resultar sofrimento evitável para ninguém. É isto: não faças mal a ninguém. Não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem a ti. Quantas vezes já ouviste isto?
Não podes matar, bater, magoar, violar, escravizar. Por mais que te apeteça apertar o pescoço aquele gajo, sabes que não podes. Porquê? Simples. Vale para tudo. Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti.

Não. Nem todos conseguem tudo e ao mesmo tempo. Não somos perfeitos, estamos a aprender a fazer o melhor que podemos.
Nestes anos todos ouvi vezes sem conta as mesmas perguntas, as mesmas desculpas, as mesmas piadas, as mesmas indignações... aprendo a lidar com isso diariamente, principalmente como mãe.
Não. Não faço tudo bem. Mas faço o melhor que sei e posso. E, se cada um de nós fizer o melhor que sabe e pode, sabes uma coisa? Está tudo bem!

Não sou Vegan porque ainda uso (cada vez menos) alguns produtos de origem animal. Sou ovo lacto vegetariana em bom rigor. Como ovos caseiros. Fora de casa, como ovos e derivados, porque como em cantina. Sim, é uma desculpa. Também tenho as minhas. São cada vez menos...
É aqui que quero chegar. Nem eu sou Vegan nem um Vegan é perfeito. Sou como sou e tu és como és. Vamos ser cada vez melhores. Sem rótulos.

Vou partilhar experiências convosco porque são muitos anos a responder às mesmas perguntas, a ignorar as piadas repetidas, a tentar não julgar as mesmas desculpas...

Malta! Eu já comi carne, ok? Sei bem o que é. Uma vez jantei o coelho que semanas antes fora o meu animal de estimação. Para mim, era normal. Só que já não é...
Não sou um ET.
Também tenho sempre as minhas analises excelentes, como estão as tuas? Sei que se tornam especialistas em nutrição ao ouvir "nem carne nem peixe", mas já lá se vão uns anos valentes, uma gravidez, ano e meio de aleitamento materno e muitas dádivas de sangue. Sabes o que te digo? Quem te dera a minha hemoglobina!

Agora xiu que te vou ensinar a fazer uma feijoada em que o único ser magoado vais ser tu, quando acabar e quiseres mais!

Fica aí.

Receita para não perder peso #1

"Queria ser vegetariana mas gosto muito de comer"
"Não conseguia, ia ter saudades de muitos pratos"
"Mas afinal o que comes tu?"
"É muito caro"
"Não sei cozinhar isso"
Já ouvi todas estas desculpas e mais algumas. Aliás, a primeira vez que as ouvi foi da minha cabeça!
Gente! Adoro comer!  não se nota???
A Mamã Cati vai ajudar, ok?
Na verdade é tudo muito simples, dá para fazer tudo de forma completa, nutritiva, equilibrada e... melhor de tudo, sem nenhum animal pagar pela nossa gula! E olhem que a minha é enorme, ok?
Na maior parte das vezes, cá em casa adaptam-se as receitas originais, substituindo os ingredientes. Fácil! Vocês vão fazer isto melhor que eu.
Lasagna de soja. Simples, sem segredos, maravilhosa!
Então como?
Faz aí um refogado como mais gostar.
Eu gosto de dourar a cebola em azeite e com pouco sal e depois acrescentar o alho e louro. Não dispenso o louro.
Façam como mais gostarem, só não juntem caldo de carne, por favooooorrrrrr.
A seguir junta chouriço de soja para dar aquele sabor... eu gosto do da VegIn que compro no Jumbo. Deixo apurar um pouco para juntar tomate aos bocadinhos e polpa de tomate.
Tempera aí. Pode por o que quiser. Eu ponho pimenta preta moída na hora, pimentão doce, curcuma e tomilho. É o que apetecer na hora.
Junta a soja granulada não precisa demolhar antes, eu ponho direto e junto vinho tinto ou molho de soja. Se quiser, faz antes com lentilhas, é mais saudável. Mesmo na soja eu junto lentilhas para equilibrar que cozo previamente.
Sabe fazer molho bechamel? Claro que sabe!
Então bota lá o leite no tacho com sal, pimenta, noz moscada e creme vegetal.
Não. Leite de vaca não. Pensou que era?
Deixa lá o leite do bezerro, faz com shoyce de soja, sim? Deixa o leite do bebé para ele!
Também nada de se entusiasmar com cremes vegetais que têm leitelho,  por causa do rapaz em tronco nu na publicidade. Foca, miúda! Respira e traz antes da Alpro ou Becel de noz que fica divinal.
Junta a maizena e mexe com vara de arames. Boa sorte com os grumos. Espero que seja melhor que a minha!
Monta a lasagna. Lâmina de massa, preparado... alterna e junta o bechamel.
Leva ao forno.
Não sei quanto tempo. Até ficar dourada.
Serve um copo de vinho e espera.
Só um copo, para não queimar a lasagna.
Ta feito.

Esparguete bolonhesa sem crueldade num dia cruel

Há dias maus e há dias muito maus. Imagina um dia muito mau, depois de muitos dias maus... Chegas a casa depois de 10 horas de correria ...